O Feiticeiro de Terramar - Ursula K. Le Guin (Ciclo Terramar #1)

O universo fantástico nos apresentou a inúmeros magos e feiticeiros poderosos, de Avalon à Hogwarts percorremos as histórias dos mais renomados mestres e nos surpreendemos, nos encantamos, nos revoltamos e até choramos por eles. Em O Feiticeiro de Terramar temos uma outra perspectiva, ao invés de iniciar pelo seu auge, centenário e longa barba grisalha, vemos o nascimento e jornada de Ged, o maior feiticeiro que já existiu.


Os poderes de Ged começaram a se manifestar cedo, através da observação e da curiosidade de criança, ainda sob o nome de Duny e na tutela de sua tia, o jovem foi aprendendo truques e alguns feitiços sem saber de seu potencial ou do perigo que eles traziam.

Seus feitos chegaram aos ouvidos de Ogion, um poderoso mago, que decidiu treiná-lo. No entanto, logo os problemas começaram a aparecer, Ged era um aprendiz impaciente e imaturo, mas muito habilidoso e com um grande poder dentro de si. Insatisfeito com seu treinamento ‘lento’, o jovem decide ir Roke, ilha onde os grandes mestres ensinam as artes elevadas.


Chegando na Ilha de Roke, Ged tem uma grande surpresa ao notar que ele não era o único habilidoso e que para conseguir ser tornar um verdadeiro feiticeiro teria um longo caminho pela frente. Ele se torna amigo de Vetch e Jaspe - e tem esse último como seu grande rival -, rivalidade essa que aumenta a cada dia, fomentando inveja, cobiça e raiva dentro do rapaz e desencadeia a libertação de um força maligna jamais vista, uma sombra que irá perseguir o jovem Gavião até que ele seja tomado pela escuridão.


O Feiticeiro de Terramar traz, para mim, uma premissa nova e muito interessante: a origem de um mago, estou acostumada a ler sobre magos em seus auges, sem pensar muito nas trajetórias que os tornaram tão sábios, poderosos e com tantas responsabilidades.  A escrita de Úrsula  é densa, bem descritiva e, em certos momentos, arrastada, mas a história de Ged é retratada com certa sutileza, que acabou me prendendo a leitura. Alguns personagens merecem destaque: Ogion e Vetch. Ogion - que também merecia maior participação-, mostra que mesmo com toda sua a imponência e seriedade, ele tem compaixão e carinho pelo aprendiz e isso transpassa as páginas e chega ao leitor. Vetch é aquele amigo fiel e ombro amigo, que mesmo nos momentos mais difíceis e nem sempre concordando com nossas ações se apresenta para ajudar. 

E o próprio Ged merece destaque, um mago com defeitos, que erra, tem medos e está em busca de sua redenção pessoal. Não é uma história entre o bem e o mal como opostos, mas sim, o equilíbrio deles dentro de cada um. Ele é seu maior e pior inimigo, desde a sua vaidade e prepotência até a autossabotagem. Comecei a leitura com certo repúdio ao protagonista e conforme as páginas vão passando, as consequências de suas ações vão surgindo juntamente com seu amadurecimento, também fui criando um vínculo maior com ele. 


A leitura me surpreendeu muito, apesar do ritmo mais lento e por vezes repetitivo, Ursula fez um trabalho genial e inovador para a época (1968), pois a maioria de seus personagens são não-brancos, em um mundo complexo e com narrativa bem intrincada. A nota ao final do livro é esclarecedora e mostra bem os motivos que a levaram a isso. Amei! Pretendo acompanhar o Ciclo de Terramar e as outras obras da autora! Quanto ao primeiro livro da saga, está recomendado - mas tenha um pouco de paciência! ^^

Nota: 4/5★
O Livro no Skoob: O Feiticeiro de Terramar

2 comentários:

  1. Eu já tinha visto uma amiga minha lendo esse livro, achei bem interessante a sinopse dele <3 amei muito tua resenha, vou pegar o dela emprestado, beijoos
    http://www.atrasdapenteadeira.com/

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    Respostas
    1. Denise Rodrigues5 de março de 2018 22:32

      Oie Eduarda,
      Pega sim, mas tem que ter paciência é uma fantasia bem diferente das convencionais! Espero que goste!! ♥

      Bjs

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