Fangirl - Rainbow Rowell


Foi numa daquelas promoções absurdas da Amazon, com ofertas de ebook por até R$ 5,00, em que eu me deparei de frente com Rainbow Rowell na tela do meu kindle. Lá estava “Fangirl”, quase de graça. Li a sinopse e pensei: Um romance sobre amadurecimento, paixão incomensurável pela ficção e a tentativa de encontrar sua própria voz através da escrita? Ha! Por algum motivo, senti que havia aí o potencial para eu me identificar rs… E foi assim que resolvi dar uma chance ao livro que só conhecia por causa de uma citação vinda de não sei onde há anos atrás e até que me surpreendi.


O livro conta a história de Cather Avery, Cath como prefere ser chamada, uma jovem que acaba de ingressar na faculdade junto com sua irmã gêmea Wren que já não é assim a pessoa mais próxima dela como costumava ser e como sempre imaginamos ser entre gêmeos. As irmãs cresceram lendo a série de livros de ficção Simon Snow, da qual não apenas são extremamente fãs, como na adolescência ao longo dos anos se tornaram populares escritoras de fanfic até o momento em que Wren decide deixar um pouco a ficção de lado para tentar encontrar a própria identidade e viver novas e reais experiências, sem exitar em deixar para trás a irmã se debatendo com um período de grandes mudanças na vida de ambas e ainda se apegando fortemente ao passado, sem saber ao certo como fazer a transição e seguir em frente.

Então vamos lá, se você é um geek que sempre amou ficção com aquela paixão um pouco - ou muito - maior do que a dos meros mortais, não é tão difícil assim se identificar logo de cara com Cath em certos pontos. Claramente, Simon Peg é para ela o que Harry Potter foi - e ainda é - para mim e para a maioria dos meus melhores amigos. Se você além de geek é nerd, a ideia de ter passado, por escolha própria, boa parte da faculdade em seu quarto lendo ao invés de curtindo loucamente noite afora não é algo que pareça assim tão distante também. Junte tudo isso à clássica combinação de timidez e a falta de habilidade social que geralmente faz com que a vontade de evitar contato humano costume levar vantagem sobre a necessidade de conexão e você tem o pacote completo. Agora sobre ter dificuldade em lidar com mudanças? Bem isso é simplesmente o mais humano que um humano pode ser, cada um a sua maneira e em seu próprio ritmo. Então, óbviamente eu não passei pelas exatas mesmas coisas que a protagonista, mas sendo uma mulher geek que como toda pessoa constantemente lida com mudanças, não tive dificuldade em me identificar com ela e até mesmo reconhecer a mim mesma quando mais jovem em algumas das situações e, mais ainda, enquanto lia aos 27 anos quis chacoalhar a ambas, Cath e Jack de 18 anos.

Então, senhora e senhores, temos aí já os dois primeiros grandes pontos positivos do livro: um público alvo extremamente bem definido e uma protagonista interessante, humana e real com a qual é fácil se identificar. Outros pontos positivos incluem a escrita leve e fluida de Rowell que te carrega sem esforço por quase todo o livro e também uma consistente gama de personagens secundários cativantes.

Como principal ponto negativo e, para apontá-lo devo admitir que nunca gostei muito de fanfic - especialmente as que fogem completamente do cânon -, o livro é repleto de trechos longuíssimos das fanfics que Cath escreve e que quase sempre quebram o ritmo da leitura e, para mim, poderiam quase todos terem sido deixados de fora do livro. Além disso, se por um lado o livro trata com delicadeza de alguns assuntos relevantes, por outro falha em se aprofundar e desenvolver outros, deixando algumas relações e personagens mais superficiais do que gostaríamos.

Em resumo, “Fangirl” é uma leitura leve, divertida e cativante que me surpreendeu de forma despretensiosa mesmo com alguns pontos que me desagradaram. Admito, até com certa parcialidade, que livro me cativou também pelo adicional de ter sido lido num período claro de mudanças na minha vida e também logo depois que decidi voltar a escrever. Ainda assim, o li com o desejo de ter lido mais jovem, mas feliz por poder olhar para trás e ver o caminho que percorri até aqui e poder torcer para que Cath percorra um mais ou menos na mesma linha.

P.S. Daria um filminho de sessão da tarde bem legal rs ♥

“Para ser nerd mesmo, ela definira, era preciso preferir os mundos da ficção ao mundo real”

Nota: 3,5/5 ★
O livro no Skoob: Fangirl

2 comentários:

  1. O Que Tem Na Nossa Estante26 de março de 2018 21:12

    Oi Jack, confesso que tb nunca fui fã de fanfic rsrsrsrsrsrs eu só li até hoje um livro da autora que foi Ligações e é bem diferente porque é uma história bem mais adulta, mas curti a premissa desse e está na minha lista de leituras!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    Respostas
    1. Jacqueline Verônica3 de abril de 2018 10:01

      Oi, Mi. Oia, já fui buscar sua indicação e ela acaba de entrar na minha lista também! rs

      Bjs

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