Han Solo: Uma História Star Wars

“Han Solo: Uma História Star Wars” é o spinoff que ninguém realmente pediu, que quase todos acharam que seria ruim, mas surpreendentemente é bom... porém não menos desnecessário.

Eis um filme que desde seu anúncio parece que veio tropeçando mais do que a Millenium Falcon em um dos seus tradicionais pousos forçados, até chegar sem a Força (trocadilho intencional) esperada pela franquia nas salas de pré-estreia e estreia consideravelmente vazias. Com problemas de troca de direção, roteiro e várias dificuldades pelo caminho, a cada notícia sobre o filme aumentava a cautela do fandom em relação a produção.


O filme se passa mais ou menos ali no meio entre “A Vingança dos Sith” e “Rogue One”, cerca de uma década antes da batalha de Yavin (“Uma Nova Esperança”) e se trata da história de origem que vai contar como o jovem coreliano começa sua jornada rumo a se tornar o famoso contrabandista e cafajeste mais querido da galáxia que todos nós conhecemos e amamos.

Após inúmeras críticas prematuras  por parte do fandom na escolha do elenco, posso dizer que Alden Ehrenreich está surpreende no papel icônico, trazendo uma versão bastante sua e adequada para aquele personagem que ainda está longe de ser aquele Han Solo que nós conhecemos, mas que está ainda encontrando sua própria voz e aperfeiçoando aquela que virá a ser sua malandragem lendária. Acho justo ressaltar que o ator não pode ser culpado de não ter o charme do incomparável Harrison Ford (afinal, ninguém tem nem nunca terá, sejamos honestos), mas ele traz sim um carisma que eu certamente não estava esperando e fez um trabalho bem melhor do que eu imaginava.


Emilia Clarke está muito bem no papel de Qi'ra e, por mais que eu ame Peter Mayhew, é evidente que o atletismo de Joonas Suatamo foi muito mais que bem-vindo na sua interpretação de um Chewbacca que brilha nesse filme. Mas destaque também para meu querido Donald Glover, que trouxe para a tela todo o estilo, sex appeal e carisma irresistível de Lando Calrissian que me fez lembrar muito da versão do personagem em “Star Wars: Rebels”. Uma pena que falta ao personagem tempo de tela suficiente para atender ao hype que foi criado em torno da atuação, certamente ninguém reclamaria de mais Lando no filme, pois quando ele aparece, rouba a cena.


O filme, longuíssimo com suas duas horas e quinze minutos, é uma aventura que conta com um ritmo acelerado desde o princípio, mas que ainda assim consegue soar bastante lento em vários momentos. O longa trabalha bem a dualidade de vários personagens, o que é bem coerente para a trama, mas ficou no ar o sentimento de que ainda carecia de um bom antagonista. Mesmo não acertando completamente na escolha de um certo alívio cômico, o filme consegue estabelecer uma dose consistente de humor através de vários outros personagens, resultando assim numa história que mesmo não sendo hilária é, sim, bastante divertida.

Como em “Rogue One”, o filme funciona tanto para fãs mais aficcionados quanto para aqueles que não acompanham o novo cânone tão de perto, mas pode ter um peso a mais para quem está por dentro do Universo Expandido. Ainda assim, “Han Solo: Uma História Star Wars”, é provavelmente o filme de Star Wars menos Star Wars que você verá e isso não necessariamente é algo ruim, pois a ideia é realmente apresentar uma outra realidade e situação. Entretanto, como um filme solo (trocadilho intencional, novamente), não acho que tenha de fato cumprido completamente seu aparente objetivo inicial de mostrar a jornada transformadora de Han Solo e trazer luz aos acontecimentos que endureceram e moldaram o jovem no homem sarcástico e desconfiado que compõe o personagem cheio de camadas que conhecemos e que, sejamos honestos, é bastante bem resolvido e apresentado desde o princípio na saga clássica; um dos motivos pelos quais o filme mesmo sendo bom, talvez não seja assim tão necessário. Basicamente, é um pretexto para vermos na telona algumas cenas que todos já sabíamos como aconteciam, mas convenhamos que geek não reclama de fanservice, muito pelo contrário.

Quem me conhece e/ou acompanha o EntreLinhas Fantásticas, sabe que sou uma fã enlouquecida super envolvida da saga e que tem acompanhado e adorado o rumo que a franquia tem tomado e, honestamente, não tenho paciência para alguns fãs puristas que criticam sem argumentos a Disney apenas por existir. Mas é por ser uma fã assim que sinto que preciso e tenho o direito de ser honesta aqui e assumir que, por mais que tenha saído da sala de cinema positivamente surpreendida - deixando claro novamente que eu gostei do filme - , ainda carrego a sensação de que o longa não acrescenta realmente nada ao cânone da saga e sinceramente não consigo evitar o sentimento de que em seu lugar cabia outra história que merecia bem mais ter uma chance de ser contada e ainda não foi - e não me refiro apenas a Obi Wan Kenobi, qualquer fã poderia listar várias outras sugestões também. Fica aí o questionamento sobre se o filme ainda trará desdobramentos no Universo Expandido ou quem sabe uma sequência, ou se foi só isso mesmo. Se as próximas antologias (filme do Bobba Fett acaba de ser confirmado) forem "sequências" de Han Solo, trazendo de volta os personagens apresentados, o filme pode ganhar relevância na cronologia.

Mas em resumo, “Han Solo: Uma História Star Wars”, pode não ser um filme "WOW", mas diferente do esperado, é sim um filme bom e que vale a pena ser assistido no cinema, mesmo que ainda não deixe uma grande marca na franquia.



3 comentários:

  1. Ótimo texto Jack :)

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    1. Jacqueline Verônica11 de junho de 2018 14:37

      Obrigada, Nato! ^^

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