Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Finalmente é chegada uma das estreias mais aguardadas pela nossa equipe e fãs mundo afora, uma hype que lembra distantemente aquela daqueles de nós que tiveram o privilégio de crescer lendo e aguardando livros novos de Harry Potter. “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”, a sequência do nosso carinhosamente apelidado “Réri Poti e os bicho” é bem mais “Réri Poti”, um pouco menos “bicho” e muito, muito mais informação.


O longa assume desde o começo um tom muito mais sombrio do que seu antecessor, um clima de urgência e temor crescente que é evidenciado em cada personagem, em especial aqueles mais ligados diretamente aos ministérios da magia. A abertura do filme é um verdadeiro trato visual aos fãs, trazendo elementos conhecidos juntos de tantos outros novos e surpreendentes numa sequência empolgante e ousada, sem avareza nos efeitos impressionantes com os quais já fomos mal acostumados pela franquia.

“Os Crimes de Grindelwald”, mesmo que mais sombrio, ainda é visualmente impressionante e encantador, com perdão do trocadilho, e traz novamente o figurino deslumbrante da merecidamente oscarizada Colleen Atwood, que consegue a proeza de se superar.

As criaturas mágicas, que agora claramente já não são mais o centro da história, ainda são um show à parte. É simplesmente espetacular o trabalho e nível de detalhes que dão vida a esses seres mágicos num resultado cativante e realmente magnífico de se ver.

Dito isso, é evidente que, de maneira bastante compreensível, a partir desse ponto, a saga começa a perder um pouco daquele brilho do ar fascínio com o novo que ditou o ritmo do filme anterior. Se no primeiro filme J.K. nos apresentava uma completa expansão do universo bruxo e especialmente de suas criaturas junto com seus novos personagens, muito desse nosso deslumbre refletido de maneira genial através dos olhos de Jacob, agora a história começa a se aproximar muito mais do mundo bruxo que nós conhecemos de longa data. Por esse motivo creio que, enquanto o primeiro filme da saga funcionava perfeitamente sozinho - sem tanta necessidade de a pessoa ser de fato um potterhead para entender e/ou apreciar -, “Os Crimes de Grindelwald” exigem uma maior familiaridade com esse universo mágico. Aqueles fãs “trouxas/nomajs/nomajics” devem, sim, ter uma maior dificuldade de acompanhar a quantidade de informação e reviravoltas do longa, que não são poucas.



Revemos aqui o querido quarteto principal do filme anterior bastante modificado pelos acontecimentos do curto período de tempo entre um filme e outro, todos mais maduros e decididos, cada um lidando com seus próprios problemas internos e todos de alguma forma diretamente ligados a uma narrativa maior. Newt Scamander (Eddie Redmayne) e Tina Goldstein (Katherine Waterson), dupla principal do filme antecessor, nesse longa se distanciam um pouco do protagonismo sem jamais perder o brilho em todas as suas cenas, muito pelo contrário, para dar mais espaço para o desenvolvimento da real trama.


Jude Law como Alvo Dumbledore é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores coisas do filme. Ele tem o perfeito olhar carismático e maroto de quem sabe muito, muito mais do que todo mundo e não se importa nem um pouco com a quem as implicações disso possa vir a irritar, exatamente como eu sempre imaginei lendo os livros. Uma performance cativante do ator entrega uma versão maravilhosa de um dos mais queridos personagens do universo criado por J.K.

Iti malia... quer um porquinho pro abate? A gente te dá!
Agora, o filme se chama “Os Crimes de Grindelwald” e não é à toa. Sim, o vilão ganha muito mais espaço e desenvolvimento aqui e seguindo a linha da franquia, o enredo começa a evidenciar cada vez mais um tom político inegável, carregando uma crítica inequívoca e relevante. Sem entrar em polêmica, não vou negar que a escalação de Johnny Depp ao papel do grande vilão Grindelwald sempre me causou desgosto, e não foi pouco, por uma série de motivos que não hei de detalhar. A verdade é que eu ainda não consigo vê-lo totalmente como Grindelwald, mas no final das contas se a criadora do personagem o vê assim e a mudança não foi feita quando poderia ter sido, quem sou eu pra questionar a essa altura? Ao menos, se não excepcional, sua atuação não foi ruim como muitos de nós temíamos. Sua performance até agradou boa parte da nossa equipe. Mas o que me agradou mesmo no personagem, e aí podemos agradecer a criatividade da J.K. e a equipe excepcional de efeitos especiais, foram todas as maneiras como deixam bem claro quão extraordinariamente poderoso ele é.


Após ver o filme duas vezes e refletir bastante, cheguei a conclusão que ele, de certa forma, é um desafio. Um desafio para a roteirista J.K. Rowling e para o público, ambos acostumados com histórias escritas em livros, longos livros por sinal, pois mesmo quando nos referimos aos oito filmes de Harry Potter temos em mente que estes eram adaptações de uma extensa e detalhada saga. Aqui, por se tratar de uma história original, nos deparamos com a dificuldade de concatenar uma quantidade impressionante de informação muitas vezes aparentemente desconexas, em curtas duas horas e quatorze minutos. São muitos personagens novos, muitos arcos, muitas informações e muitas explicações a serem dadas, muitas conexões a serem feitas e não é realmente algo tão simples de acompanhar, imagina então roteirizar. Não é uma tarefa fácil e, plenamente ciente de quão parcial irei soar - e admito ser, pois aqui é uma conversa de fãs, afinal - aos meus olhos de fã, foi feita de maneira impressionante, mesmo que com uma dificuldade de ritmo ali pelo meio. Para aqueles de nós que estamos acostumados com a J.K. autora, que planta pistas e arcos a serem colhidos muito futuramente ao longo da trama e que em seus livros, de forma impressionante, jamais deixava pontas soltas, é até bastante fácil dar um salto de fé e compreender que essa é apenas a segunda de cinco partes de uma história muito maior.

“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald” é, em suma, uma ponte importante para o meio de uma saga cuja qual, de maneira fascinante apesar de sabermos mais ou menos o final, consegue não deixar de surpreender - e nesse filme foi cada surpresa que oooh… é pra respirar fundo. Esse é mais um capítulo que enche o coração dos fãs de nostalgia, fanservices e eastereggs, ao mesmo tempo que enche a cabeça de reviravoltas e teorias de conspiração, deixando novamente a todos ansiosíssimos aguardando por mais.


6 comentários:

  1. Que resenha maravilhosa! Eu amo HP,mas não assisti nem o primeiro filme,mesmo tendo o DVD dele,mas pretendo mudar isso em breve.

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    1. Jacqueline Verônica21 de novembro de 2018 17:38

      Hey, Nay. Obrigada ^^
      Ain veja, tenho certeza que como nós, você vai viciar e ver várias vezes rs

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  • O Que Tem Na Nossa Estante19 de novembro de 2018 00:46

    Oi Jack, finalmente uma resenha equilibrada sobre o filme rsrsrsrs O pessoal está se desesperando com apenas dois filme sendo que são cinco... E o que mais me incomodou no longa foi realmente o ritmo, mas gostei muito mais desse que do primeiro, confesso rsrsrrs

    Vamos aguardar pra ver o que JK tem para nos mostrar!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Jacqueline Verônica21 de novembro de 2018 17:41

      Oi, Mi. Obrigada mesmo. Pois é, acho que a paciência é uma virtude que falta aos fãs. Pessoal critica info de entrevista sem nem ver o filme e depois ainda esquecem que nem na metade chegamos. Honestamente, tem muito chão pela frente ainda. Não vou me precipitar.
      Bjs

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